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A NOITE DO CÃO |
"Mesmo estando em um local deserto com o silêncio da noite, devemos sempre estar alertas, porque mesmo com a aparente solidão, podemos estar sendo observados, e o resultado pode não ser muito agradável!"
O Relato a seguir é sobre um desses tensos momentos! ==================================================================================== Foi no final da década de setenta, durante uma madrugada gélida (fato comum
aqui no Rio Grande do Sul), que esse fato ocorreu comigo, e me marcou muito! Numa dessas noites, um colega que havia terminado sua
jornada solicitou uma carona até em casa. Quando retornei já era madrugada alta, e fui colocar o veículo em um estacionamento onde os lugares eram demarcados. O tal estacionamento ficava localizado num vasto terreno circundado por uma
cerca de zinco. Então entrei com o carro, desliguei o motor e desci. Instintivamente olhei
para o tapume divisório, percebendo que alguém caminhava no mesmo sentido que eu, porém
do lado oposto. Intrigado e já ficando nervoso, diminui a
minha passada, esperando que o visitante cruzasse pelo poste iluminado antes de
mim, para que eu pudesse saber "de quem se tratava". Casualmente nesse
vão existente, a iluminação era razoavelmente boa, e ali certamente eu veria o
intruso de corpo inteiro. Estranhei o comportamento daquele bicho, parecia racional demais, não se
apresentava em minha frente nunca, caminhava silenciosamente, se ocultando nas
sombras e quase no mesmo ritmo do meu passo. A primeira coisa que vi realmente foram dois olhos vermelhos faiscantes em minha
direção. Senti um frio correr pela espinha e
uma sensação desconfortável de medo. Ficou me acompanhando pelo outro lado do tapume (uns cinco metros) e mesmo com o vão existente que possibilitava a entrada dele no estacionamento ele não o fez, e continuou "me escoltando" sempre alguns passos atrás, e quando eu olhava em sua direção eu ficava ofuscado pelo intenso brilho daqueles olhos impressionantes. Mesmo quando saí do estacionamento e atravessei uma rua em direção do meu local de trabalho não tive coragem de olhar para trás, pois "sentia" ainda seus olhos sobre mim. Depois daquela noite, fiquei pensando sobre o caso, e lembrei que naquelas cercanias não havia residência alguma, pois eu conhecia bem aquela região. De
onde teria surgido e o que na verdade seria aquele cão negro de comportamento tão intrigante que me acompanhou e me observou por todo o meu trajeto?
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